sábado, 9 de julho de 2011

Por que... Spire?


                Para quem vem à Irlanda, e em especial Dublin, tem fortes referências como a O'Connell Street, o rio Liffey e o monumento Spire. OK, mas que raios é aquele "palito de dentes do Godzilla"? (como disse minha mãe ao ver a fotografia dele pela primeira vez).
                Bom vamos começar pelo nome. Spire é na tradução literal, cúspide, pináculo e foi intitulado oficialmente como Monumento da Luz (gaélico:An Túr Solais). O monumento fica no centro da O'Connel Street e tem 120 metros de altura, sendo 3 metros de largura a partir da base e que vai afinando até os 15 cm de diâmero em seu ápice, tornando-a a escultura mais alta do mundo.
                A estrutura é feita de 8 tubos de aço inoxidável ocos, fazendo que durante o dia ela seja prateada e ao entardecer ela reflita tons de rosa e vermelho do céu. O primeiro segmento tem aspecto escovado com detalhes rajados, como as listras de um tigre em no metal polido. Tanto a base quanto o topo são iluminados.
A decisão da contrução da Spire era parte de um plano de revitalização da região da O'Connell Street em 1999. Foi levantado a desvalorização e declínio da área desde a década de 70, com o surgimento de estabelecimentos de comida rápida e lojas de produtos muito baratos, o que criava a idéia de lugar abandonado esteticamente e livre de investimentos.
               Um concurso internacional foi realizado para eleger o design do monumento que ficaria no lugar exato do antigo e destruido Pilar de Nelson, um monumento em homenagem a um soldado, que foi alvo de ataques do IRA em 8 de Março de 1966, destruindo completamente a metade superior do Pilar de quase 37 metros de altura.
A empresa Ian Ritchie Architects teve então deu design escolhido, sendo investidos controversos e criticados €4.000.000 para sua construção. A idéia era que ficasse pronta para o ano de 2000, como representação do novo milênio. Mas com as dificuldades para obtenção das permições e barreiras de adequação ambientail, a contrução atrasou. A primeira peça da estrutura foi colocada em 18 de Dezembro de 2002 e terminando com a colocação da oitava peça em 21 de Janeira de 2003.
               Como parte do plano de revitalização, os donos das lojas da região foram obrigados a trocar as placas e anúncios de plástico por outras mais atraentes. A arborização que era excessiva e irregular, foi repensada e mudada. O trânsito de carros foi mudado de forma que fosse priorizado o trânsito de pedestres, que atrairia mais pessoas e ajudadria a revitalizar o comércio da região.
               O monumento é bastante criticado e controverso, pelo alto valor investido em sua construção e manutenção e pela imcompreenção e falta de aceitação em um monumento que parece não representar nada aos irlandeses. O monumento é limpo algumas vezes ao ano, sendo que os 12 metros a partir da base, são limpos a cada 3 meses, o que custa mais de €200.000 todo ano em manutenção.

Pilar de Nelson que antes ficava no lugar da atual Spire
Monumento destruído em ataque do IRA em 1966
Detalhes do primeiro segmento do monumento

terça-feira, 28 de junho de 2011

Dias Tristes

              Desde a postagem (Cenas) até a anterior a este post, ficamos um período de uma semana sem nem ao menos elaborar nada. O motivo, foi que recebemos uma notícia repentina e muito triste. Leonardo, um rapaz que conhecemos aqui em Dublin e que nos encontramos algumas poucas vezes faleceu de forma repentina e banal.
              Não é algo que eu goste de publicar no blog por ser triste e por não querer parecer valer-me de algo tão trágico, mas com a perda do nosso amigo, há lições a serem aprendidas e ensinadas.
              O Léo era como a maioria dos intercambistas: jovem, sorridente, maravilhado com as inúmeras novas experiências de uma estadia temporária em um país estrangeiro. Assim como eu, como o Diego e como você que pensa em fazer um intercâmbio.
             Andando de bicicleta, ele freiou na rua molhada e, em desequilíbrio, caiu e bateu a cabeça, que estava sem a proteção de um capacete. Os amigos que estavam com ele, o acompanharam ao hospital já desacordado, em que passou a noite. Infelizmente, ele não resistiu e faleceu pela manhã.
              Neste domingo, fomos à missa do Léo na igreja próximo ao local onde moramos. E assim como nós, todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo, se emocionaram em uma missa feita em português por um padre irlandês. Muitos brasileiros e alguns dos amigos recentes de outros países que ele fizera ao chegar ao país. Foi inevitável que as lágrimas de tristeza corressem pelo rosto de quase todos que ali estavam presentes, inclusive nós.
              Pedro (um dos que estava no momento do acidente, flatmate do Léo e amigo nosso) veio nos cumprimentar com a face compreensivelmente abatida e a pergutar se tínhamos uma bandeira do Brasil para emprestar. Não tínhamos, o que não impediu que outra bandeira fosse estendida no altar, presa pelo porta retrato do Léo. A bandeira do time paulista Corinthians. Debate de futebol a parte, mas o Léo era um dos muitos corintianos que estão em Dublin e que estava conosco no dia que fomos assistir o jogo no Whool Shed e que fizemos uma feijoada aqui no apartamento escutando o jogo de futebol.
              Mesmo os não católicos, mesmo os não cristãos, mesmo aqueles que a pouco o conheceram, vieram orar por ele. Pois muito além da questão da religião em que se deposita a fé, é o compartilhamento de um sentimento tão mundano, que só nós humanos temos a capacidade de senti-la tão intensamente.
             Ao final da missa, todos se levantaram e deixaram recados que seriam enviados juntamente com o corpo para ser sepultado em Marília, cidade natal do Léo.
            Saímos da igreja abatidos, fomos dar uma volta para refrescar a alma, pensar no valor dos nossos sonhos, dos nossos planos, das pessoas que nos rodeiam, que torcem por nós (mesmo que a milhas de distância), do valor da alma, do espírito, da consciência, da vida.
             O céu estava claro, azul e tempo impreensívelmente quente, lembrando o clima do Brasil. Mais tarde, no mesmo dia o Corinthians jogaria contra o também paulista São Paulo e ganharia de 5x0. Independente do que você que lê este post acredita, seria muito bom imaginar que ele tenha ficado muito feliz com o resultado do time que ele tanto amava... tanto quanto amava sua família e o Brasil.
             Conhecemos aqui o sentido mais profundo da saudade em seu sentido bom, e com a partida do Léo, em seu sentido triste também.

Foto do altar, gentilmente cedida pela nossa amiga Bibiana.
Faltou a bandeira brasileira, mas a bandeira do time de paixão do Léo e o porta-retrato com
sua foto sorridente é a lembrança que todos tem dele.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Horário Standard Irlandês (IST)

                
                 Valendo uma paçoquinha... Olhe para a foto acima. Analise por alguns segundos e responda rapidamente: Que horas eram quando esta fotografia foi tirada?
                 17:00h?
                 18:00h?
                 19:00h?
                 20:00h?
                 20:30min?
                 Mais cedo?
                 Mais tarde?
                 Em Marte?
                 Bom, se você respondeu 22:30min, você está certo! Uma paçoquinha para você!
                Agora responda ainda mais rápido: que horas era quando a foto abaixo foi tirada?
                 Se você respondeu 4:00h, você está corretíssimo! Outra paçoquinha de prêmio para você!
                 Sim, sim. Para nós, nativos sul americanos, isso parece estranho, não?
                A Irlanda tem diferença de 3 horas a mais em relação ao Brasil em seu fuso horário. Porém todos os anos, a partir do último domingo de Março até o último domingo de Outubro, entra em funcionamento o Horário Standard Irlandês, conhecido popularmente (mas erroneamente) como horário de verão irlandês (aplicado também no Reino Unido). Durante este período o horário é adiantado em 1 hora, como é feito no Brasil. Com a entrada da Primavera e a medida que se aproxima o Verão, os dias tem mais horas de luz. No ápice do Verão, há dias que há somente 4 horas de escuridão.
                 Atualmente, vemos o céu começar a escurecer as 22:30 e começar a clarear as 3:50 aproximadamente.
                 Para quem já vivenciou este período, as histórias são engraçadas. Vamos contar uma delas com o codinome do protagonista de João.
                 João certo final de semana resolveu ir a uma baladinha em Dublin. Eram aproximadamente 23:00h quando ele chegou na tal baladinha com luz no céu. João entrou na baladinha, bebeu, badalou, aproveitou bastante e saiu as 2:30h (horário aproximado que costumam fechar os pubs e baladas). Para a surpresa de João, o céu tinha luz como se fosse de dia. Sim, todo o período de escuridão característico da noite havia passado enquanto ele estava da baladinha! E assim ele não viu a noite naquele dia fatídico... Está parecendo enredo de filme de suspense/ficção. Vou escrever e mandar para o Spielberg!


Para saber sobre o horário exato em diversos países do mundo e seus "horários de verão", acesse 24 Time Zones.